segunda-feira, 1 de fevereiro de 1988

Taiobas, Congonhal e o Mundo

Do lado paterno Sinésio Raimundo Gomes é bisneto de índios da tribo Tupi-guarani; a tribo de minha bisavó que por pouco, muito pouco não foi dizimada pela família de seu Bisavô que durante caçada na serra da Mantiqueira raptou-a. Já do lado materno seus bisavós são fugitivos europeus da Segunda Guerra Mundial, vindos da Itália e Espanha. 
Em fevereiro de 1973 o Sr Waldemar Cesário e sua esposa Tereza Mariano caminharam 9 quilômetros do bairro das Taiobas até a cidade de Congonhal, onde na Praça Central aguardaram a jardineira para viajarem até Pouso Alegre. 
A motivação desta viagem era o fato da cidade de Congonhal não contar com nenhuma unidade hospitalar, fato que ainda hoje é realidade, embora já se passaram 32 anos. Portanto sou natural de Pouso Alegre, Minas Gerais. Após meu nascimento, retornamos ao bairro das Taiobas, onde moramos até o ano de 1978, nesta data minha irmã mais velha já havia começado a estudar e meus pais mudaram para Congonhal. Fiz e os primeiro estudos durante o regime militar, sob governo do General João Batista Figueredo. 
Graduei como técnico em eletrônica pela ETE “Francisco Moreira da Costa” de Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais em 1993 e em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade Paulista - UNIP no campus de Ribeirão Preto. 
Fiz curso de especialização em Proteção Digital de Sistemas Elétricos de Potência na Escola de Engenharia de São Carlos – USP. Está se dedicando ao estudo de Pedagogia na Universidade Metodista de Piracicaba. Sua vida profissional iniciou-se como estagiário na Emtel Empreendimentos Técnicos Ltda de Belo Horizonte (1993), atuando na área de telefonia rural; em de 1994 atuou como técnico em manutenção em rede de televisão na Rádio Mulher Ltda de Araraquara, ajudando a implantar a rede de retransmissão de Araraquara à São Paulo.
Já em 1996 fui contratado na função de Supervisor Técnico pelo Sistema Brasileiro de Televisão em Ribeirão Preto, onde teve destacada participação na implantação do Transmissor Toshiba canal 05 VHF-L de 10 KW; de 2002 a 2004 atuei como instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial em Ribeirão Preto onde lecionou ao curso técnico em eletroeletrônica as disciplinas de: Desenho Técnico, Eletricidade Geral, Eletrônica Analógica, Eletrônica Digital, Informática, Instalações Elétricas e Microcomputadores. Atualmente presto serviços de consultoria na área de eletroeletrônica a empresas e atua como técnico em ensino do SENAI em Araraquara onde leciono ao curso técnico em eletroeletrônica as disciplinas de: Máquinas Elétricas, Controle e Automação Industrial e Sistemas Microprocessados. Possuo obras publicadas na área de eletroeletrônica e participo ativamente de diversas atividades na área. Ao longo de toda a vida, dediquei-se ao aprofundamento de conhecimentos em eletricidade e eletrônica.

quinta-feira, 3 de abril de 1980

1.3 - Villa Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará - Região Central – Fundada em 1711

A história de Sabará tem suas raízes nos primórdios da colonização do Brasil e está intimamente relacionada à lenda do sabarabuçu, região de limites. O sabarabuçu fervilhou na imaginação dos colonizadores, que buscavam no sertão “uma serra feita de prata e pedras preciosas”.
O sertanista paulista capitão Matias Cardoso de Albuquerque foi eleito, por Fernão Dias Paes, o lider da equipe de vanguarda da Bandeira das Esmeraldas. Seu objetivo era preparar o caminho, abrir picadas implantar roças e pouso.
Matias de Albuquerque encontrou um local favorável para a implantação de roças, com fonte de água, livre de perigo das enchentes e um ponto de travessia do rio a pé. Assim, Sabará passou a ser local de pousada para a travessia do sertão.
Em 1674, chegou à região a bandeira de Fernão Dias Paes, dando início ao que tornar-se-ia o mais importante arraial fundado pelo bandeirante paulista. 
 Formaram um arraial, elevado a freguesia em 1707, a vila em 1711 com o nome de Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará e por fim à cidade desde 1838. 
Sabará foi um dos primeiros povoamento de Minas Gerais. A elevação à Vila veio na mesma época de Vila Rica (Ouro Preto) e Vila do Carmo (Mariana). As primeiras expedições chegaram a Sabará por indicação dos índios que contaram aos bandeirantes paulistas sobre um local que povoava o imaginário coletivo da época, o Sabarabuçu, (hoje Serra da Piedade), cuja fama era de possuir, em abundância, ouro e outros metais preciosos.
A indicação correu a colônia e a movimentação de exploradores no Caminho de Sabaraçu, que ligava Sabará a Ouro Preto, deu origem ao Arraial da Barra do Sabará. Começando a prosperar, o arraial chamou a atenção de Portugal e foi elevado a Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará, incorporando outros arraiais vizinhos.
Habitada por escravos, senhores de minas, barões, aventureiros, representantes da Coroa e indígenas no século 18, Sabará era o retrato da intensa corrida pelo ouro no Brasil. Por causa de tanta movimentação, Portugal ordenou que ali fosse instalada a Casa de Intendência e Fundição – local onde se pagava o Quinto, ou seja, 20% de tudo o que fosse encontrado nas minas, e onde o ouro era transformado em barras, nas quais se colocava o timbre da Coroa. A Vila se mostrava tão rentável para a extração aurífera que D. Pedro I a classificou como “fidelíssima”.
O resultado de tanta história encontra-se à disposição dos turistas. A cidade é formada por um conjuntos arquitetônicos e 19 bens culturais tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), quatro deles protegidos pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico - Iepha, e 23 obras tombadas pelo Município. Entre os templos mais destacados de Sabará estão a Matriz da Senhora da Conceição e a capela de influência oriental dedicada à Senhora do Ó. Na Igreja da Ordem Terceira do Carmo trabalharam o Mestre Aleijadinho e outros contemporâneos, como Francisco Vieira Servas. A Rua Direita, principal artéria da vila, conservou a arquitetura colonial de sobrados e casarões.
A ligação entre Belo Horizonte e Sabará vai muito além da proximidade geográfica. Além de contar parte do nascimento de Minas Gerais, Sabará contribuiu muito para a formação do então Curral del Rey. A linha de ferro que une as duas cidades foi criada com o intuito de fornecer alimentos e outros materiais que ainda eram escassos na recém-inaugurada capital.

O mapa está disponível em: 1927_03_MG Município de Sabará .

© Direitos de autor. 2024: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 16/07/2024

quarta-feira, 2 de abril de 1980

1.2 - Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto - Região Central – Fundada em 1711

Antes da chegada dos colonizadores de origem europeia no século XVI, toda a região atualmente ocupada pelo estado de Minas Gerais era habitada por povos indígenas que falavam línguas do tronco linguístico macro-jê.
A origem de Ouro Preto está no arraial do Padre Faria, fundado pelo bandeirante Antônio Dias de Oliveira, pelo Padre João de Faria Fialho e pelo Coronel Tomás Lopes de Camargo e um irmão deste, por volta de 1698.
A elevação de Ouro Preto a vila se deu em 8 de julho de 1711, por meio da fusão de diversos arraiais, fundados por bandeirantes, tornando-se sede de concelho, com a designação de "Vila Rica", sendo o Governadores da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro na época: Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho.
Inicialmente o nome era Vila Rica de Albuquerque e depois Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto.
Em 1720 foi escolhida para capital da nova capitania de Minas Gerais. Em 1823, após a Independência do Brasil, Vila Rica recebeu o título de Imperial Cidade, conferido por D. Pedro I do Brasil, tornando-se oficialmente capital da então província das Minas Gerais e passando a ser designada como Imperial Cidade de Ouro Preto. Em 1839 foi criada a Escola de Farmácia e em 1876 a Escola de Minas. Foi sede do movimento revolucionário conhecido como Inconfidência Mineira. Foi a capital da província e mais tarde do estado, até 1897. A antiga capital de Minas conservou grande parte de seus monumentos coloniais e em 1933 foi elevada a Patrimônio Nacional, sendo, cinco anos depois, tombada pela instituição que hoje é o IPHAN. Em 5 de setembro de 1980, na quarta sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, realizada em Paris, Ouro Preto foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade.
Nenhum outro município brasileiro acumulou tantos fatos históricos relevantes à construção da memória nacional como este vasto município. Destacam-se, como marcos importantes da história brasileira:
  • Última década do século XVII e princípio do XVIII - clímax das explorações paulistas, sendo descoberto o "ouro preto";
  • 1708 - Guerra dos Emboabas; os atritos entre paulistas e 'forasteiros' atinge o ponto alto no distrito de Cachoeira do Campo;
  • 1720 – Revolta liderada por Filipe dos Santos; motins contra o Quinto da Coroa Portuguesa;
  • 1789 - Inconfidência Mineira; confabulação entre determinados segmentos da sociedade mineradora de então para tornar Minas livre do jugo português. 
A  Igreja de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto, é uma das edificações católicas mais conhecidas entre as que foram erguidas durante o ciclo do ouro. A devoção de Nossa Senhora do Pilar foi trazida provavelmente de São Paulo, na bandeira de Bartolomeu Bueno, tendo a imagem sido entronizada na primitiva capelinha que antecedeu o templo. A presente Igreja foi construída em torno de uma capela erguida a partir nos primeiros anos do século XVIII, e ampliada em 1712 com recursos dos devotos, embora as intervenções principais tenham seguido até o final do século. Segundo consta nos registros, a construção foi incentivada pelo próprio governador.
A Paróquia do Pilar foi a mais rica e populosa em Vila Rica, já que reuniu o maior número de irmandades e, por isso, a Matriz recebeu mais ornamentos em preparação para uma "boa morte". As irmandades tinham lugares específicos dentro do templo, uma forma de representar e expressar a hierarquia social dos fiéis. O Livro de Compromissos relacionava a participação da Irmandade do Santíssimo Sacramento (1712), além da de Nossa Senhora do Pilar (1712), São Miguel e Almas (1712), Rosário dos Pretos (1715), Senhor dos Passos (1715), Sant'Anna e Nossa Senhora da Conceição.
Na sacristia está o Museu de Arte Sacra do Pilar, que reúne cerca de 8 mil peças dos séculos XVII ao XIX,[10] além de documentos e algumas das vestimentas usadas na celebração do Santíssimo Sacramento e Semana Santa.

O mapa está disponível em: 1927_02_MG Município de Ouro Preto  .

© Direitos de autor. 2024: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 16/07/2024

terça-feira, 1 de abril de 1980

1.1 - Vila de Nossa Senhora do Carmo - Região Central – Fundada em 1711

 Primeira capital, primeira vila, sede do primeiro bispado e primeira cidade a ser projetada em Minas Gerais. A história de Mariana, que tem como cenário um período de descobertas, religiosidade, projeção artística e busca pelo ouro, é marcada também pelo pioneirismo de uma região que há três séculos guarda riquezas que nos remetem ao tempo do Brasil Colônia. 
Em 16 de julho de 1696, bandeirantes paulistas liderados por Salvador Fernandes Furtado de Mendonça encontraram ouro em um rio batizado de Ribeirão Nossa Senhora do Carmo. Às suas margens, nasceu o arraial de Nossa Senhora do Carmo, que logo assumiria uma função estratégica no jogo de poder determinado pelo ouro. O local se transformou em um dos principais fornecedores deste minério para Portugal e, pouco tempo depois, tornou-se a primeira vila criada na então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Lá foi estabelecida também a primeira capital. 
Em 1711 o arraial de Nossa Senhora do Carmo foi elevado à Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo. 
Em 1745 o rei de Portugal, Dom João V, elevou a vila à categoria de cidade, nomeada como Mariana, uma homenagem à rainha Maria Ana D’Austria, sua esposa. Transformando-se no centro religioso do Estado, nesta mesma época a cidade passou a ser sede do primeiro bispado mineiro. Para isso, foi enviado, do Maranhão, o bispo D. Frei Manoel da Cruz. Sua trajetória, realizada por terra, durou um ano e dois meses e foi considerada um feito bastante representativo no Brasil Colônia. Um projeto urbanístico se fez necessário, sendo elaborado pelo engenheiro português militar José Fernandes Pinto de Alpoim. Ruas em linha reta e praças retangulares são características da primeira cidade planejada de Minas e uma das primeiras do Brasil.  
Mariana é conhecida como a primaz de Minas, por ter sido a primeira vila, cidade, bispado e capital de Minas Gerais. No século XVIII, foi uma das maiores cidades produtoras de ouro para o Império Português. Tornou-se a primeira capital mineira por participar de uma disputa onde a Vila que arrecadasse maior quantidade de ouro seria elevada a Cidade sendo a capital da então Capitania de Minas Gerais.

A origem da cidade remonta ao final do século XVII. A região em que hoje se encontra o território das Minas Gerais pertencia à Capitania de Itanhaém, porém encontrava-se completamente sem colonização de origem portuguesa. Assim, sob ordens dos donatários da capitania de Itanhaém, bandeirantes oriundos de Taubaté, primeira cidade do Vale do Paraíba, começaram a explorar o sertão após a Serra da Mantiqueira em busca do ouro. Ainda na segunda metade do século XVII, fundaram o primeiro núcleo colonial em território das futuras Minas Gerais, a considerada primeira vila mineira.

O governador, em cerimônia, escolheu o lugar da praça pública, tendo, no seu centro, o pelourinho, símbolo da autonomia administrativa recém-adquirida. Nos dias seguintes, os "homens bons" se reuniram para a eleição da Câmara e a nomeação de diferentes oficiais municipais. No caso do Carmo, foi escolhido o arraial que conhecia mais forte crescimento, o arraial de Cima. A descrição da cerimônia estipulava que não somente os habitantes do lugar, mas todos que doravante dependeriam da jurisdição do novo distrito, se encarregariam, segundo seus meios, da construção da igreja, da Câmara e da prisão.

Foi desta maneira que foi criada a primeira vila e, posteriormente, a primeira cidade em Minas Gerais. Estavam presentes, segundo o Termo escrito então, as pessoas e moradores principais, assinando o documento, escrito por Manuel Pegado.

A designação de Mariana veio mais tarde, em homenagem à rainha D. Maria Ana de Áustria, esposa do rei D. João V. Em 8 de abril de 1711, o governador do Rio de Janeiro Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho criou, no arraial do Ribeirão do Carmo, a Vila do Ribeirão de Nossa Senhora do Carmo, confirmada por Carta Régia de 14 de abril de 1712 com o nome mudado para Vila Real de Nossa Senhora. Mudará de nome outra vez em 23 de abril de 1745 para Cidade Mariana, homenagem do rei dom João V de Portugal a dona Maria Ana de Áustria, sua esposa.

Capela de Santo Antônio - A Capela de Santo Antônio é, possivelmente, a capela mais antiga de Minas Gerais. Localizada em Mariana, às margens do Ribeirão do Carmo, no local onde está construída ocorreu a primeira missa de Minas Gerais, em 1696, como marco do manifesto do ouro em Mariana. A sua construção remonta do século XVII, às margens do Ribeirão do Carmo. Com construção iniciada em 1701 por Salvador Fernandes Furtado, ela foi inicialmente erigida em devoção à Nossa Senhora do Carmo, naquela época sob os domínios do Arcebispado da Bahia. Em 1762, teve os retábulos, púlpitos, arco cruzeiro e porta principal vendidos à Ordem Terceira de São Francisco e, em 1768, foi cedida à Irmandade do Rosário, depois de ser erguida a nova matriz, dedicada à Nossa Senhora da Conceição. A capela permaneceu como local de culto da irmandade do Rosário até 1760, quando se deu a construção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, com a união entre as irmandades do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia. Por isso também é conhecida como Capela do Rosário Velho.

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo - Depois de se alojar na primitiva Capela de Nossa Senhora do Carmo (atual Capela Santo Antônio) e na Capela São Gonçalo (hoje inexistente), a Ordem Terceira do Carmo obteve permissão por carta régia, datada de 1784, para erguer seu templo definitivo. As obras iniciaram em 1784, tendo como encarregado o mestre pedreiro português Domingos Moreira de Oliveira, cujos sucessores terminaram o templo em 1835.

Mariana fica a 110 km de Belo Horizonte, faz divisa com os municípios de Alvinópolis, Catas Altas, Ouro Preto, Acaiaca, Diogo de Vasconcelos, Piranga, Santa Bárbara.

O mapa está disponível em: 1927_10_MG Município de Mariana  .

© Direitos de autor. 2024: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 16/07/2024

segunda-feira, 31 de março de 1980

Capitania de São Paulo e Minas de Ouro - 1709 a1720

 A Capitania de São Paulo e Minas de Ouro foi uma das subdivisões administrativas do território da América Portuguesa, criada em 1709 por meio da compra, por parte da Coroa portuguesa, após a Guerra dos Emboabas, da Capitania de São Vicente e da Capitania de Paranaguá. Foi governada, durante os seus pouco mais de dez anos de existência, por um governador-geral apontado pela metrópole.

Guerra dos Emboabas - Após a descoberta de ouro no interior do continente sul-americano por exploradores advindos da capitania de São Vicente, começou um período de intensa migração de colonos vindos da metrópole portuguesa e de outras regiões da América portuguesa em direção às minas recém descobertas. Esses colonos - chamados de Emboabas pelos vicentinos, termo da língua geral paulista que significa "forasteiro" - entraram em conflito com os descobridores dos veios auríferos, dando início a um conflito armado que ficou conhecido como "guerra dos Emboabas", e que acabou sendo vencido pela Coroa, que conseguiu fazer valer a sua autoridade na região.
Em 3 de novembro de 1709, como consequência disso, e visando fortalecer o poder régio sobre as minas, as capitania de São Vicente, e a capitania de Paranaguá foram compradas pela Coroa, fundidas e transformadas na Capitania Real de São Paulo e Minas do Ouro.

A capitania, no tempo da sua dissolução, 1720, contava com os seguintes núcleos populacionais, aqui organizados de acordo com a sua respectiva comarca e data de fundação:

Comarca de Vila Rica
  1. Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo - Mariana (1711)
  2. Vila Rica - Ouro Preto (1711)
Comarca de Rio das Mortes
  1. São João del Rei (1713)
Comarca de Rio das Velhas
  1. Nossa Senhora da Conceição do Sabará (1711)
  2. Vila do Príncipe - Serro (1714)
  3. Vila Nova da Rainha do Caeté (1714)
  4. Piedade do Pitangui (1715)
Comarca de São Paulo
  1. São Vicente (1532)
  2. Santos (1546)
  3. São Paulo dos Campos de Piratininga (1553)
  4. Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém (1561)
  5. Nossa Senhora das Neves de Iguape (1577)
  6. São João Batista de Cananéia (1600)
  7. Santana de Mojimirim - Mogi das Cruzes (1611)
  8. Santana de Parnaíba (1625)
  9. São Sebastião (1636)
  10. Exaltação da Santa Cruz do Salvador de Ubatuba (1637)
  11. São Francisco das Chagas de Taubaté (1645)
  12. Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá (1649)
  13. Santo Antônio de Guaratinguetá (1651)
  14. Nossa Senhora da Conceição do Rio Paraíba - Jacareí (1653)
  15. Nossa Senhora do Desterro do Campo Alegre de Jundiaí (1655)
  16. Nossa Senhora de Candelária do Outu Guaçu - Itu (1657)
  17. Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba (1661)
  18. Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba (1693)
  19. Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pindamonhangaba (1705)

Lista de Governadores da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro
Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho - 1709
D. Braz Baltazar da Silveira - 1713
D. Pedro de Almeida - 1717


Como consequência da Revolta de Vila Rica (1720), além do adiamento da instalação da Casa de Fundição, materializou-se a autonomia administrativa das Minas, uma vez que, em 12 de setembro desse ano, D. João V desmembrou-a, instituindo a capitania de Minas Gerais e a capitania de São Paulo.
Na capitania de Minas Gerais foi então criada mais uma comarca: 
    Comarca de Serro do Frio: com sede na Vila do Príncipe (1720).

© Direitos de autor. 2024: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 16/07/2024

segunda-feira, 3 de março de 1980

32 - Congonhas do Norte - Região Norte – Fundada em 1711

A região passou a ser ocupada entre 1711 e 1715, por um grupo formado por bandeirantes liderado por Fernão Dias Paes Leme, que tinha a finalidade de auxiliar Borba Gato. Em uma serra com abundância do arbusto medicinal congonhas, próxima de um local conhecido como Serra da Lapa, foi encontrado ouro. Por isso, o primeiro topônimo foi chamado de Congonhas de Cima da Serra da Lapa.
Sabe-se que existiu no antigo arraial uma primeira capela, e devido ao seu estado precário, motivou, em 1722, o visitante padre Antônio da Silva Prado a alertar os moradores para reedificar este templo ou construir um novo.
Algumas histórias populares contam, não existindo registro documental, apesar do Livro de Tombo da Paróquia constatar que irmãs José Velho Barreto do Rego, que Dom Pedro teve duas filhas bastardas, Maria e Eufêmia. Ele doou para elas uma sesmaria de terras na região chamada Lagoa, nas imediações do então arraial.
Um escravo de Maria e Eufêmia, chamado Lucas, encontrou nas terras da sesmaria um veeiro de ouro. Diz-se que a Igreja Matriz de Santana foi construída por elas, ornada com pinturas parietais e tetos pintados e uma rica talha barroca executada entre 1722 e 1748, atualmente possui tombamento estadual.
Em 1821, a então Capela de Santana das Congonhas incluía-se entre as filiais da matriz de Conceição do Mato Dentro, tendo como capelão o padre Vicente Pinheiro Dornelas
Em 04 de julho de 1857, o então povoado de Congonhas do Norte foi elevado a distrito, desmembrando-se do Distrito de São Francisco de Assis de Paraúnas, e passou a fazer parte do município de Conceição do Mato Dentro, pela Lei nº. 818.
Com o crescimento do distrito, surgiu uma vontade popular de emancipação e em 30 de dezembro de 1962, pela Lei nº 2764, sancionada pelo Governador da época, José de Magalhães Pinto, Congonhas do Norte tornou-se município e cidade. O movimento de emancipação da cidade foi liderado pelo Sr. Ulisses Pereira de Moraes e o Sr. José Domingos.
Maior festa religiosa da cidade é a Festa de Santana, padroeira da cidade, Nossa Senhora de Santana, comemorada no dia 26 de julho e dura três dias. Acontece desfile de carro de bois, que conduzem a planta canela d’ema para as fogueiras que iluminam o levantamento do mastro. Vários são os espetáculos durante esta festividade como fogos de artifício, apresentação da banda de música “Lira Santana”. .
A Igreja Matriz de Santana é tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – IEPHA/MG, de acordo com o Decreto Estadual nº 24.325, de 22 de março de 1985.

O mapa está disponível em: 1927_14_MG Município de Conceição .

© Direitos de autor. 2024: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 16/07/2024

domingo, 2 de março de 1980

31 - Lagoa Dourada - Campo das Vertentes – Fundada em 1711

O povoamento local começou quando a bandeira comandada por Oliveira Leitão descobriu ouro nas águas de uma pequena lagoa. Ao encontrarem ouro de aluvião na lagoa, os primeiros mineradores a chamaram de "Alagoa Dourada". Então, nasceu o povoado e as casas foram subindo a colina. Por volta de 1717, a região já estava bem povoada e o arraial foi se formando com a chegada de novos "oureiros". 
Em 1734, Dom Frei Antônio de Guadalupe ergue, então, uma capela dedicada a Santo Antônio. Em 1750, o arraial é elevado a "Distrito da Paz". O coronel Antônio de Oliveira Leitão às suas custas, construiu um caminho novo que ligava São João del rei a Ouro Preto, passando pela então Alagoa Dourada, onde morava desde 1713. 
Demolida a antiga capela, construída em 1734, iniciou-se a construção da Matriz em 13 de julho de 1850. Muitos anos paralisada a construção foi reiniciada em 20 de junho de 1899, tendo sido contratado o empreiteiro Augusto Buzatti, italiano e que mudou-se para cidade. 
Em 1832, o nome original de Alagoa Dourada é alterado para Lagoa Dourada, uma referência à lagoa ali existente, muito rica em ouro. A antiga capela do Senhor do Bom Jesus foi destruída, em 1905, por vandalismo. A nova igreja, mal construída começou a ruir e novamente foi fechada. Só em 30 de maio de 1911 foi iniciada uma nova construção, feita também pelo empreiteiro Augusto Buzatti.
Após o esgotamento das jazidas auríferas, o arraial buscou alternativa na agricultura, principalmente, no milho e na produção do leite. Em 1892, o distrito passou a pertencer a Prados, e em 1911, foi finalmente emancipado.
Bem no centro de Lagoa Dourada, abaixo da histórica igreja do Bom Jesus e da Matriz de Santo Antônio está  a Praça das Vertentes
A Praça das Vertentes foi idealizada para marcar uma particularidade da cidade e também um fenômeno único do Brasil: o divisor de águas de duas grandes bacias, dos rios São Francisco e Paraná, dentro de um perímetro urbano. Localiza-se no ponto da rua onde acontece essa divisão das águas. Assim, as águas que correm para o lado esquerdo da praça seguem para o Rio Paraopeba, que é afluente do Rio São Francisco e deságuam no nordeste do Brasil, na cidade de Piaçabuçu, localizada na divisa de Sergipe com Alagoas. Já as águas que correm para o lado direito seguem outro caminho: vão para o Rio Carandaí, que deságua no Rio das Mortes, em seguida no Rio Grande e depois no Rio Paraná e por fim vão ao encontro do oceano Atlântico, na Bacia do Prata, na divisa do Uruguai com a Argentina.

O mapa está disponível em: 1927_02_MG Município de Lagoa Dourada .

© Direitos de autor. 2024: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 16/07/2024