domingo, 21 de dezembro de 2025

Comendador José Ferreira de Mattos (1808–1884) - Doador das terras onde surgiu Congonhal – MG

 Comendador José Ferreira de Mattos (1808–1884) - Doador das terras onde surgiu Congonhal – MG
"O Comendador" trouxe a luz do dia a história de vida do cidadão congonhalense José Ferreira de Mattos. Consta em documentos que ele nasceu em Santana do Sapucaí, antigo nome de Silvianópolis, mas seus pais residiam no ribeirão São Pedro, vertente do rio Cervo, atualmente bairro dos Malheiros, batizado na Capela do Mandu no ano de 1808, cuja Capela ainda era atendida pelos Párocos de Silvianópolis. 
De acordo com os documentos encontrados, o Comendador nasceu, casou e viveu (1808/1884), posteriormente no bairro Grota Rica, que mais tarde se tornou, em terras pertencentes ao município de Congonhal.
José Ferreira de Mattos nasceu em setembro de 1808, em São José do Paraisópolis, distrito de Santana do Sapucaí. Foi batizado em 18 de setembro na Capela Bom Jesus do Mandú, filho de João Ferreira de Mattos e Ana Maria da Conceição.
Casou-se em 3 de março de 1840, na Matriz de Pouso Alegre, com Maria Benta da Annunciação, após dispensa eclesiástica por consanguinidade. 
Foi fazendeiro, Juiz de Paz, registrou terras nos bairros dos Macacos e Macaquinhos (atual Grota Rica) e serviu como vereador de Pouso Alegre no quadriênio iniciado em 1877.
Em 28 de setembro de 1882, recebeu do Imperador Dom Pedro II o título de Comendador da Imperial Ordem da Rosa, pelos relevantes serviços prestados ao Estado e à Religião.
Doador de 25 alqueires para o patrimônio da futura capela de São José, supervisionou juntamente com seu cunhado o agrimensor ,José Caixeta Guimarães para dar alinhamentos das ruas do nascente povoado de Congonhal, contribuindo diretamente para sua formação.
Faleceu em sua fazenda na Grota Rica em 1º de maio de 1884, sendo lembrado como benemérito, líder regional e doador das terras que originaram Congonhal.

1.1.1 - 1802 - CASAMENTO (Pais) - JOÃO FERREIRA DA COSTA E ANNA MARIA DA CONCEIÇÃO
Aos dezasete dias do mes de janeiro de mil oitocentos e dois na Matriz de Santa Anna do Sapucahy, João Ferreira da Costa natural desta Freguesia, filho de Joaquim José Ferreira e Efigênia Cardosa de Lima, com Anna Maria de Jesus, natural de Barbacena mg, filha de Domingos Pinto da Silva e Anna Maria da Conceição.
E logo receberão as Bençãos Nupciais do que fiz este asento que asignei.
Vigário João Alvares Botão (Joze de Mello)

1.1.2 - 1802 - BATIZADO MARIA (Irmã)
Aos vinte e seis dias do mês de julho do ano de mil oitocentos e dois nesta Igreja Matriz de Santa Anna do Sapucahy o Padre Jozé de Mello de licença minha baptizou e pôs os Santos Óleos a Maria de idade de mês e meio, filha de João Ferreira da Costa e Anna Maria Maria da Conceição.
Padrinhos forão Victoriano Jozé da Silva solteiro e Anna Maria da Conceição de que fiz este asento.
O Vigário João Alvares Botão

1.1.3 - 1804 - BATIZADO ANNA (Irmã)
Aos vinte e oito dias de mês de outubro de mil oitocentos e quatro no Mandu Padre Capellão José de Mello, batizou e pôs o Santos Óleos a Anna de hum mes, filha de João Ferreira da Costa e Anna Maria da Conceição. 
Padrinhos forão: Tenente Antonio Manoel e Dona Custodia Candida do Sacramento do que fiz este asento.
O Coad. Joaquim Borges

1.1.4 - 1806 - BATIZADO THOMAZIA (Irmã)
Ao primeiro dia do mês de novembro do ano de mil oitocentos e seis nesta Capella do Bom Jesus do Mandu desta Freguesia de Santa Anna do Sapucahy o Padre Capellão José de Mello baptizou e pos os Santos Óleos a Thomazia de quinze dias, filha de João Ferreira da Costa e Anna Maria da Conceição. 
Forão Padrinhos João e sua irmã Francisca, ambos filhos solteiros de Domingos Pinto, do que fiz este asento.
O Vigário João Alvares Botão

1.1.5 - 1808 - BATIZADO JOSÉ (Comendador)
Aos dezoito dias do mês de setembro de mil oitocentos e oito, na Capella do Bom Jesus do Mandu, distrito de Santana do Sapucaí, o Padre Capellão José de Mello baptizou e pos os Santos Óleos a José, filho de João Ferreira da Costa e Ana Maria de Jesus, 
Padrinhos o Alferes Antonio Correia Rangel e Anna Maria da Conceição, mulher de Domingos Pinto, do que fiz este asento que asignei.
Vigário João Alvares Botão
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1.1.6 - 1813 - BATIZADO INNOCENCIA (Irmã)
Aos sete de janeiro de mil oitocentos e treze o Coadjutor José de Mello baptizou e pôs os Santos Óleos a Inocência filha de Joam Ferreira de Mattos e Anna Maria, 
Forão padrinhos Francisco da Costa Bahia e Guarda Mor Francisco de Paula de que faço este asento.
O Vigario José Bento Leite Ferreira de Mello

1.2.1 - 1840 - CASAMENTO - JOSÉ FERREIRA DE MATTOS E MARIA BENTA
Aos 3 de março de 1840, pelas 2 horas da tarde na Matriz de Pouso Alegre, depois de feito as diligências e dispensações de impedimento do segundo grau por consanguinidade com que se achavam ligados na presença das testemunhas Manoel Leite Ferreira e Antônio Silvério Pereira, que se receberam em matrimônio José Ferreira de Mattos, filho de João Ferreira de Mattos, já falecido e Ana Maria da Conceição e Maria Benta, filha de José Mariano da Silva e Francisca Maria de Jesus naturais desta Freguesia.
Vigário José Pedro
A Certidão de Casamento de José Ferreira de Mattos e Maria Benta, emitida pelo Arquivo Metropolitano Arquidiocese de Pouso Alegre afirma o seguinte em seu: Artigo 2º: “Que Anna Maria da Conceição é irmã legítima de Francisca Maria de Jesus, os “primos legítimos” são os oradores José Ferreira de Mattos e Maria Benta, os quais são filhos das irmãs, ele filho de Anna Maria da Conceição e ela filha de Francisca Maria de Jesus.

1.2.2 - 18XX - BATIZADO JOSÉ BENTO CONRASO FERREIRA DE MATTOS (Capitão)
Aos xx do mês de xx de mil oitocentos e quarenta, na Capella do xx, distrito de xx, o Padrexxx baptizou e pos os Santos Óleos a Jozé, filho de José Ferreira de Mattos e Maria Benta. Padrinhos o Alferes xx e xx, mulher de xx, do que fiz este asento que asignei.
Vigário xx

DESCENDENTES DE JOSÉ FERREIRA DE MATTOS
2.1.1 - CASAMENTO - José Bento Conrado Ferreira de Mattos e Maria do Carmo Oliveira.
Aos 20 de abril de 1864 na presença das testemunhas, Major Francisco de Paula Duarte e José Crispim Mariano da Silva, sem nenhum impedimento, José Bento Conrado Ferreira de Mattos, filho legítimo de José Ferreira de Mattos e Maria Benta da Anunciação, com Maria do Carmo de Oliveira, filha legítima de José Rodrigues Barreiro e Dona Rosa Maria de Oliveira, receberam as bençãos nupciais.
Vigario Barnabe Joze Ferreira de Andrade.

2.1.2 - Filhos do Capitão José Bento e Maria do Carmo de Oliveira
- José Bento Ferreira de Mattos de Oliveira - Zeca Bento (1865), casado com Ignês Pereira Coutinho (1862);
- Ignês Ernestina de Oliveira Mattos (1866), casada com Antônio Pereira de Aquino (1860);
- Isaura Maria de Oliveira - Zarica (1870), casada com José Raimundo de Oliveira (1867);
- Rosina Belarmina de Oliveira Mattos (1872-1924), casada com Theodoro Pereira de Aquino (1869);
- Anna Augusta de Oliveira Mattos (1874), solteira;
- Maria Rosa da Anunciação - Mariquinha (1876), casada com Sabino Firmino Pinto (1873), e segundo casamento com Lino Rezende Salustiano(1871);
- Virgínio dos Santos Mattos - Zinico (1878-1954), casado com Ana Bárbara de Oliveira(1898-1961);
- Theófilo Augusto de Oliveira Mattos - Tota (1881-1930), casado com Mariana Ignacia de Jesus (1887);
- Memélia Oliveira Mattos (1883), solteira;
- Auria de Oliveira Mattos (1885), solteira;
-Trifino Avelino de Oliveira Mattos - Teco Bento (1889-1982), casado com Maria Luiza de Jesus (1901-1981);
- Gersina de Oliveira Mattos (1890 -1890);

3.3.1 - FALECIMENTO

Na página 11v, linha 24 do livro do Óbitos numero 01 do Cemitério Paroquial de Congonhal, foi registrado o falecimento do Comendador José Ferreira de Mattos , no dia 02 de maio de 1884, posteriormente sepultado aqui em Congonhal.

ANÁLISE E CONCLUSÕES
O senhor João Ferreira de Mattos utilizava o sobrenome (da Costa), até por volta dos anos 1808, conforme registro dos assentamentos de casamento dele realizado no ano de 1802 e os assentamentos de batizado dos seus primeiros filhos: Maria, Anna, Thomazia e José.

Observação: Os sobrenomes adotados pelo senhor João Ferreira da Costa, primeiramente Costa até por volta do ano de 1808, posteriormente prevaleceu o sobrenome Mattos, sobrenomes estes que não eram utilizados por seus pais (Joaquim Jose Ferreira e Efigênia Cardosa de Lima), conforme consta nos assentamentos encontrados de batizado, casamento e óbito.
Nota-se que o casal João Ferreira de Mattos (Costa) e Ana Maria da Conceição ficaram em intervalo de 4 anos sem ter filhos, que não era comum na época.

Edirlei Donato da Silva, tetraneto de José Ferreira de Mattos e bisneto de Rosina Belarmina de Oliveira Mattos, conseguiu localizar nos assentamentos de batismo da Igreja Católica o registro de batismo do Comendador, datado de 18 de setembro de 1808. 

O Dr. Carlos Eduardo Kersul de Souza — descendente de José Ferreira de Mattos — presenteou com esta fotografia raríssima, preservada por seu tio e originalmente recebida de Áurea de Oliveira Mattos, neta do Comendador e irmã de Rosina e Ignês. Trata-se de uma verdadeira joia histórica ,da família Mattos. Pela análise e contexto, é possível afirmar que esta fotografia foi produzida antes de 1884, tornando-a um dos mais antigos registros visuais relacionados ao Comendador José Ferreira de Mattos.
Uma relíquia que atravessou gerações e agora retorna às mãos dos descendentes, fortalecendo nossa memória familiar, nossas raízes e a rica história de Congonhal. Fotografia original do Comendador José Ferreira de Mattos. E que no ano de 1869 idealizou a edificação da Capela ao santo padroeiro São José de Congonhal.

Artes do dossiê Comendador José Ferreira de Mattos, elaborado por: Edirlei Donato, Benedito Mariano e Raimundo B. Franco.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Basílica Menor de São Bento - Araraquara - SP

Em missa celebrada pelo bispo diocesano Luiz Carlos Dias, da Diocese de São Carlos, na quinta-feira (15 de junho), a Matriz de São Bento recebeu o título de Basílica São Bento.
O título de reconhecimento concedido pelo Vaticano foi entregue pelo bispo Dias ao padre Rodolfo Faria, atual pároco da Basílica. Fiéis, convidados e autoridades participaram ao ato religioso e histórico para a cidade que completa 206 anos em agosto e foi formada ao redor da capela de São Bento.
A Igreja Matriz de São Bento, em Araraquara, cidade do interior do Estado de São Paulo, pertencente a Diocese de São Carlos, recebeu o título de Basílica Menor, concedido pelo Vaticano em fevereiro de 2023.

Igreja Matriz de São Bento
A Igreja Matriz de São Bento é um dos símbolos mais importantes de Araraquara, interior de São Paulo. É a paróquia mais antiga da Diocese de São Carlos, sendo mais antiga que a própria diocese, e completou 205 anos de fundação em agosto de 2022, data em que é comemorado o aniversário da cidade. É o marco zero, pois no local onde hoje se encontra a igreja foi construída a capela que deu origem ao município e a paróquia. Seu fundador, o fluminense Pedro José Neto, está enterrado sob o altar desde novembro de 1819.
A importância histórica da Matriz São Bento, que deu nome à freguesia – São Bento de Araraquara – por muitos anos, vai além da fundação do município. A cripta tem cerca de 1425 lóculos e dois sacerdotes sepultados, sendo a única na cidade. Enterrados sob o altar estão os restos mortais de dezenas de fiéis que ajudaram a construir a fé católica na região, ainda no século XIX, no “Sertão de Araraquara”. Como era a única capela existente nas proximidades que tinha um padre, a capela de São Bento era procurada para que casamentos, batizados e outros sacramentos fossem realizados. Seu acervo tem imagens de São Bento, São José, Nossa Senhora e Sagrado Coração de Jesus e Maria com mais de 130 anos, além de outras imagens, itens centenários e uma relíquia de segundo grau do padroeiro.
A igreja tem capacidade para 2 mil pessoas sentadas e um coro para 700 pessoas. Para atender os paroquianos, são celebradas duas missas de segunda a sexta-feira, três missas aos sábados e três missas aos domingos. As missas reúnem cerca de 3500 fiéis. Também há visitas aos enfermos nos hospitais, realizados pelo pároco, e exéquias. São realizados cerca de 450 batizados e mais de 50 casamentos, anualmente.
Em sua jurisdição paroquial estão a Igreja Santa Cruz, o Cemitério São Bento, a capela Nossa Senhora Auxiliadora (Colégio Progresso), capela Sagrado Coração de Jesus (Hospital Santa Casa), capela Santo Antônio (Hospital São Francisco), capela do Externato Santa Terezinha e a capela da principal maternidade da região, a Gota de Leite, que registra cerca de 200 nascimentos por mês.

Basílica de São Bento
Erguida sob o patrocínio do santo abade beneditino, a igreja representa não apenas um centro de culto e devoção, mas também um testemunho da história de fé, arte e arquitetura que acompanha a formação da cidade e da própria vida eclesial da região.

Origens e Fundação
A devoção a São Bento de Núrsia, patriarca do monaquismo ocidental e padroeiro da Europa, remonta aos primórdios da presença católica em Araraquara. A antiga Paróquia de São Bento, criada em meados do século XIX, foi um dos eixos estruturadores da vida social e espiritual do município. O atual templo começou a ser construído nas primeiras décadas do século XX, em um contexto de grande expansão urbana e religiosa. Com o crescimento da cidade e o aumento do número de fiéis, a necessidade de uma igreja monumental levou à edificação do novo santuário, que viria a ser elevado à dignidade de Basílica Menor pela Santa Sé, em reconhecimento à sua importância pastoral, histórica e artística.

Arquitetura e Arte Sacra
A Basílica de São Bento apresenta um estilo arquitetônico que combina influências neorromânicas e neogóticas, comuns às grandes igrejas brasileiras do início do século XX. Sua fachada imponente, os vitrais coloridos e as abóbadas internas remetem à tradição monástica europeia, enquanto a disposição do espaço litúrgico reflete a renovação teológica posterior ao Concílio Vaticano II. O interior abriga notáveis obras de arte sacra, como painéis e esculturas que retratam cenas da vida de São Bento e passagens bíblicas centrais à liturgia cristã. O altar-mor e a cúpula central destacam-se pela riqueza simbólica, integrando a espiritualidade beneditina (marcada pela máxima “Ora et Labora”) à vida da comunidade local.

Decreto – Ano Jubilar
Dom Luiz Carlos Dias Por mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica, Bispo Diocesano de São Carlos, decretou o ano jubilar.
Aos que este nosso Decreto virem, saudação, paz e bênção no Senhor!
...
FICAM ESTABELECIDAS como Igrejas Indulgenciárias em nossa Diocese:
...
...
QUE ESTE ANO SANTO seja tempo de renovação espiritual, comunhão eclesial e testemunho da Esperança Cristã que não decepciona.
DADO E PASSADO em nossa Cúria Diocesana, aos dezoito dias do mês de dezembro de dois mil e vinte e quatro, sob Sinal e Selo de nossa Chancelaria.
Dom Luiz Carlos Dias
Bispo Diocesano de São Carlos"

Porta Santa da Misericórdia
Em 18 dezembro de 2024, a Basílica de São Bento realizou a abertura da Porta Santa da Misericórdia durante a missa. O decreto emitido pelo Bispo Diocesano Dom Luiz Carlos Dias concedeu à Paróquia o status de Santuário da Misericórdia, por ocasião do Ano Santo da Misericórdia, instituído pelo Papa Francisco em 2024, tendo seu término em 29 de dezembro de 2024 a 28 de dezembro de 2025.

Serpente que vive sob a Igreja Matriz de São Bento
A Igreja Matriz de São Bento é o marco da fundação da cidade de Araraquara. Desde 1805 foram construídos seis templos no mesmo local. Segundo lenda local, há uma serpente vivendo debaixo da Igreja e a cada oito anos, quando acorda e se mexe por sete minutos, destrói alguma parte da construção, impedindo que as obras sejam concluídas.
Na Praça está localizada a escultura de uma águia que serviria, segundo uma lenda local, como proteção contra a serpente que vive sob a Igreja Matriz de São Bento, também localizada na Praça.

Fonte: << https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2023-02/igreja-matriz-de-araraquara-recebe-ttulo-de-basilica-menori.html>>

domingo, 11 de maio de 2025

Arraial do Senhor Bom Jesus das Palmeiras e São Lourenço do Turvo - Matão

 A partir do ano de 1890, inúmeras pessoas vindas de outras zonas e municípios vizinhos adquiriram terras na região, onde mais tarde se ergueria o Arraial do Senhor Bom Jesus das Palmeiras e futuramente a cidade de Matão. O chapadão era exuberante e as terras de boa qualidade e estava encravado na sesmaria do Matão, nome esse que teve origem devido à existência de matas muito densas e de alto porte. Era denominado Campo de Água Vermelha e pertencia ao Sr. José Inocêncio da Costa, o qual residia numa choupana, situada próxima do córrego, que atualmente separa a cidade da Vila Santa Cruz.
Em 1892, já tinham se estabelecido na zona, formando fazendas de café, entre outros, os Srs. Ismael da Silveira Leite e seus irmãos Theofilo, Francisco e Sérgio, Amador Pires Corrêa, José de Arruda Campos, Antônio da Silva Coelho, José Brochado Corrêa, Leão Pio de Freitas, João Bellintani, Joaquim Cabral de Carvalho, Théofilo Dias de Toledo e seu irmão Mathias, Januário Malzoni e seus irmãos Núncio e Domingos e Augusto dos Santos. Em vista da salubridade do local e objetivando dar mais conforto aos seus moradores, nasceu a idéia da fundação de uma vila, tanto assim, que em 13-11-1892 houve uma reunião para tal fim, da qual foi lavrada uma ata. A comissão, adquiriu do Sr. José Inocêncio da Costa, então proprietário das terras, onde futuramente se ergueria nova vila, dez alqueires de terras por um conto de réis – fez doação das mesmas para a fundação da nova povoação. Adquirido o patrimônio, marcou-se o local onde se ergueria a Capela, dedicada ao Senhor Bom Jesus das Palmeiras, nome esse com que foi batizada a Vila recém-fundada.
O número cada vez maior de colonos que chegavam para cultivar suas terras e o estabelecimento de casas de comércio e indústrias impulsionaram o desenvolvimento da região.
A prova maior do interesse que a região despertava foi a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Araraquara em fins de 1889, um dos principais fatores de desenvolvimento do município.
Em 19 de setembro de 1895, foi criado o distrito policial de Bom Jesus das Palmeiras e, em 7 de maio de 1897, passou à categoria de distrito, mudando o nome para Matão, do município de Araraquara. Em 27 de agosto de 1898, criava-se o município.

Matão
Distrito criado com a denominação de Matão pela Lei Estadual n.º 499, de 07-05-1897, subordinado ao município de Araraquara.
Elevado à categoria de município com a denominação de Matão pela Lei Estadual n.º 567, de 27-08-1898, sendo desmembrado do município de Araraquara. Constituído do distrito sede. Instalado em 28-03-1899.
Elevado à categoria de cidade e sede do município com a denominação de Matão, pela Lei Estadual n.º 1.038, de 19-12-1906.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 3 distritos: Matão, Dobrada e São Lourenço do Turvo.
Em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937, o município permanece constituído de 3 distritos: Matão, Dobrada e São Lourenço do Turvo. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960.
A Lei Estadual n.º 8.092, de 28-02-1964, desmembra do município de Matão o distrito de Dobrada.
Em divisão territorial datada de 31-XII-1968 o município é constituído de 2 distritos: Matão e São Lourenço do Turvo. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2014.

São Lourenço do Turvo
Não se sabe ao certo qual foi a data da fundação do distrito de São Lourenço do Turvo. O documento mais antigo que se tem conhecimento comprovando a existência da povoação é a acta da sessão extraordinária da Câmara Municipal de Matão, datada de 06 de maio de 1899, onde é citada uma comissão de negociantes da Capela do Turvo, que se organizaram e foram a Matão reivindicar seus direitos. Eles reivindicavam o direito de igualdade de isenção de impostos que era concedido aos comerciantes de Matão através de uma resolução da Câmara Municipal de Araraquara; em razão do recém formado município ainda não ter instituído o seu código de posturas. Aqueles negociantes deveriam ter os mesmos direitos em razão daquele povoado ter evoluído para bairro do município de Matão. Todavia tal pedido daquela comissão só foi analisado na quinta sessão ordinária da Câmara Municipal, datada de 15 de maio de 1899, onde a Câmara reconhece que aqueles negociantes já estavam estabelecidos no Bairro do Turvo antes da formação do município de Matão.
No atual Distrito de São Lourenço do Turvo, o primeiro registro de sepultamento foi de uma criança de nome Mário Fontana com 01 mês de idade, ocorrido em 26 de dezembro de 1902 em terras particulares que posteriormente foram doadas ao município. 
Em sete de junho de um mil novecentos e quatro, foi lavrada a escritura pública de doação conforme: “Livro nº 08, folhas nº 97 do Cartório da Villa do Mattão, onde Antonio Franco Fermino e sua mulher Dona Leopoldina Maria de Jesus e Geronymo Antonio dos Santos doaram juntos à Câmara Municipal do Mattão representada pelo seu Intendente Major Mathias Dias de Toledo e seu Presidente Major Leopoldo Clementino Moreira, uma quarta e meia de terras ou hum mil e oitocentos e setenta e cinco braças quadradas para ser estabelecido o cemitério municipal, no lugar onde tem uma cruz, nas imediações da povoação do Turvo, na margem esquerda do Ribeirão São Lourenço neste município e freguesia do Mattão, com as seguintes confrontações: Rosa Gôndo e Ângelo Cardilli, Fontana e Companhia, Fazenda de São Lourenço do Turvo, Fazenda denominada Fazendinha, Onça, Cachoeira do Espírito Santo e outras. O primeiro registro de sepultamento depois de instituído o cemitério foi de Angelotti João falecido em 31 de julho 1904 com 45 anos de idade.

Paróquia São Lourenço do Turvo - Matão
Vicariato Senhor Bom Jesus
Paróquia criada em 11/04/2014 por Dom Paulo Sérgio Machado.
Pároco: Padre Braulino Giliolli Júnior
Endereço: Rua Luis Albino Bassoli, 67 – Centro
CEP: 15999-025 – DISTRITO DE SÃO LOURENÇO DO TURVO – MATÃO – SP

© Direitos de autor. 2025: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 15/01/2025

domingo, 19 de janeiro de 2025

Os 140 anos da chegada do primeiro trem em Araraquara

Dia de festa para receber o primeiro trem em 1885
18 de janeiro de 1885, a cidade de Araraquara vê pela primeira vez a locomotiva e os vagões chegarem à estação, com o prolongamento do tráfego provisório entre São Carlos do Pinhal e Araraquara.
O trem inaugural partiu de Rio Claro às 10h45 e seguiu para Araraquara aqui chegando às 16 horas, onde o povo araraquarense aguardava ansioso, juntamente com todas as autoridades do município.
Um dia histórico, com grande festividade, muita música, bandeirolas, foguetes e discursos.
Com o novo trecho aberto ao tráfego, o tronco desta via férrea foi elevado a 128 quilômetros (Araraquara – Rio Claro). Anos mais tardes, em 1898, foi instituído sob a liderança do Coronel Carlos Batista Magalhães, a sociedade que iniciaria a abertura da Estrada de Ferro Araraquara.

Como chegou o primeiro Trem – A história
Chegada do primeiro trem da Rio-Clarense em Araraquara, em 18 de janeiro de 1885. À frente da locomotiva está escrito: "Viva o Visconde do Pinhal, Digno Presidente da Cia. Rio Claro, Viva Araraquara!" 
A Companhia Paulista de Estradas de Ferro, de acordo com o Álbum de Araraquara editado em 1915 por João Silveira, mandou fazer estudos para trazer sua linha de bitola larga de São Carlos até a nossa cidade, passando pelo “Morro Pelado” por volta de 1882. O Governo da Província não aprovou esses estudos da Paulista que desistiu então de construir a estrada.
De Santos até Campinas a concessão ferroviária era da São Paulo Raylway Cy; a partir daí até Rio Claro era de domínio da Paulista, que desistiu na época de chegar até Araraquara
Em outubro de 1880 tinha sido dada a concessão para uma estrada de Rio Claro até São Carlos ao engenheiro Adolpho Augusto Pinto, que mais tarde, transferiu a concessão ao Conde do Pinhal, que organizou a Companhia Rio Claro de Estradas de Ferro e construiu a ferrovia até São Carlos.

O próprio Conde do Pinhal – Tenente-Coronel Antonio Carlos de Arruda Botelho – um fazendeiro, político e banqueiro, no primeiro semestre de 1884, veio até Araraquara e convocou uma reunião na Câmara Municipal para dizer que, se em nossa cidade fossem tomadas ações que valessem seiscentos contos, a sua companhia traria a estrada de ferro num prazo de seis meses.
O capital logo foi tomado e a promessa cumprida, sendo inaugurada a estrada em Araraquara em 18 de janeiro de 1885. Logo, a conquista colocou o município na rota do desenvolvimento, possibilitando o escoamento do agronegócio, basicamente o café, até o Porto de Santos.
Só que a chegada da ferrovia não beneficiaria apenas os fazendeiros de Araraquara. O próprio Conde do Pinhal poderia expandir seus negócios, pois como lavrador, havia criado várias fazendas de café em São Carlos, Jaú e Ribeirão Preto, além da Companhia Agrícola de Ribeirão Preto com nove fazendas e um total de dois milhões de cafeeiros e produção média anual de duzentas mil arrobas de café beneficiado. As fazendas cooperativadas eram ligadas entre si por uma estrada de ferro particular que ele também havia construído.
José Pinto Ferraz, na Fazenda Itaquerê; Joaquim Corrêa de Arruda, em Santa Lúcia; Antonio Thomaz de Aquino, em Motuca, cafeicultores da época, tiveram seus nomes apontados entre os acionistas ao lado de outras figuras ilustres, responsáveis pela chegada da ferrovia: comendador Joaquim Lourenço Correa, coronel Joaquim Duarte Pinto Ferraz, Joaquim de Souza Pinheiro, Joaquim Carvalho de Oliveira, Francisco de Paula Corrêa e Silva, Antonio Lourenço Correa, coronel João de Almeida Leite de Moraes, coronel José Xavier de Mendonça, Joaquim de Sampaio Peixoto, Francisco Vaz de Almeida, além de outros.
Para a inauguração da ferrovia um trem saiu de São Paulo trazendo o Presidente da Província e convidados, com parada em Rio Claro para um almoço. A viagem – saída às 10h45 – levou quase cinco horas, parando em São Carlos, antes de terminar em Araraquara por volta das 16h, com muito entusiasmo, música, foguetes e discursos.
Após o jantar houve baile e a comemoração pela inauguração do novo trecho ferroviário de Rio Claro até Araraquara, apresentando uma extensão de 128 km, envolvendo pelo menos a construção de quatro pontilhões nos ribeirões: Monjolinho, Cancan, Chibarro e Ouro.
Com a chegada do primeiro trem veio a transformação econômica de Araraquara.

Primeiro horário de trens da E. F. Araraquara em 1898 - o trem passava por Cruzes - hoje Cesario Bastos - e chegava a Itaquerê - hoje Bueno de Andrada. Notar que a primeira viagem foi em 1° de outubro e a notícia saiu somente no dia 2 (O Estado de S. Paulo, 2/10/1898).

Pesquisa e colaboração: Silvia Gustavo Fonte com trechos do livro “Os Senhores dos Verdes Campos”, do jornalista Ivan Roberto Peroni

© Direitos de autor. 2025: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 15/01/2025


domingo, 12 de janeiro de 2025

Cosmologias - Espaço do Conhecimento UFMG - Belo Horizonte - MG

 O Espaço do Conhecimento UFMG é um espaço cultural diferenciado, que conjuga cultura, ciência e arte. Sua missão é difundir o conhecimento científico e produzir diversos saberes, propondo linguagens que combinam conteúdos, de forma lúdica.
No local, o público encontra programação diversificada como exposições, sessões de planetário e no terraço astronômico, oficinas, debates, projeções na fachada digital, visitas mediadas, além de outras atrações.
As cosmogonias são princípios religiosos, míticos ou científicos tentam explicar a origem do universo e influenciam a nossa visão de mundo. No Espaço do Conhecimento UFMG, o público pode ver cenários construídos em papel e ouvir as narrações sobre cinco cosmogonias: yorùbá, maxakali, grega, maia-quiché e judaico-cristã.
Diferentemente das cosmogonias, as cosmologias são narrativas escritas e tem um autor. São menos figurativas que as cosmogonias e mais conceituais, abstratas e sistemáticas. Como na abordagem científica, buscam desvendar metodicamente os princípios e as leis da natureza, que atuariam desde sempre e sem interferências divinas.
Cosmogonia grega, como os gregos explicavam o surgimento do universo: Muitas pessoas conhecem os deuses gregos, como os irmãos Zeus, Poseidon e Hades. Mas nem todos conhecem seus antepassados ou como começou o universo segundo a tradição grega. Na verdade, existe um longo caminho antes de chegarmos aos deuses mais conhecidos.

Exposição Cosmologias
A memória de um povo pode ser guardada nas histórias que narram, de várias formas, as relações entre os seres e a natureza, seus significados, os acontecimentos e as mudanças. Esses saberes baseados na experiência de tantos, por muitos anos, podem, então, ser conhecidos pelos que aprendem a ouvi-los. 
Cada povo tem sua narrativa sobre a origem do mundo. Cada cultura conta sua história de acordo com suas tradições, seja pelo caminho da escrita, da ciência e da racionalidade, seja através da oralidade e de uma compreensão ampliada do Cosmos.
Os judeus e os cristãos encontram sua fonte de conhecimento na Bíblia; os maias, no Popol Vuh; os gregos, em Homero… Os que não escreveram suas histórias encontram-nas em falas, cantos e ritos que também podem ser registrados de diferentes formas. 
Na instalação, o público pode apreciar esculturas construídas em papel enquanto ouve narrações sobre seis diferentes cosmologias: Yorùbá, Maxakali, Grega, Maia-quiché, Judaico-cristã e Latina.

Consultoria: Adriana Vidotte, Jacyntho Lins Brandão, Maria Inês de Almeida, Olusegun Michael Akinruli, Bernardo Jefferson e Miriam Campolina
Esculturas em papel:
Criação, projeto e montagem: Marcelo Bicalho
Assistente de arte e montagem: Márcia Sobral
Auxiliares de montagem: Diogo Moreira e Vivianne Nardi

Endereço
Praça da Liberdade, s/n – Funcionários
Belo Horizonte – MG – CEP: 30140-010

© Direitos de autor. 2025: Gomes; Sinésio Raimundo. Última atualização: 15/01/2025